Rebeldes sem causa
Na última semana, após a vitória da Argentina sobre o Uruguai, e a conquista dramática da vaga para a próxima Copa do Mundo, o técnico Maradona resolveu desabafar e ‘xingou’ os jornalistas de seu país, que o haviam criticado pelas suas constantes mudanças na seleção nacional. Concordo que a imprensa muitas vezes é injusta, mas esse não era o caso. A equipe argentina corria sério risco de ficar de fora do próximo mundial, isso em uma eliminatória onde se classificam cinco países (contando com a repescagem) dos dez que estão na disputa, sem contar com o baixo nível de algumas seleções. Ou seja, era muito difícil ficar fora da copa.

Dunga também passou pelos mesmos problemas no começo da competição, quando o Brasil também não conseguiu bons resultados. Foi criticado e, apesar de não ter se exaltado como Maradona, deu respostas pra lá de rudes durante as entrevistas coletivas. Dunga é um sujeito que deu a volta por cima como jogador, foi do inferno (1990) ao céu (1994). Como treinador está provando ter estrela e realiza umas das melhores campanhas de um técnico à frente da seleção brasileira. Mas isso não o deixa imune às críticas, pelo contrário, a torcida passa a cobrar atuações convincentes a todo instante.
O que Dunga, Maradona e tantos outros por aí têm que entender, é que eles estão nos cargos mais importantes de suas profissões. Se um técnico de time de terceira divisão é cobrado, como um treinador de uma seleção, ainda mais se tratando de Brasil e Argentina, não vai ser? Já está mais do que na hora de entender isso.
Eles têm as melhores condições de trabalho e ganham muito bem para desempenhar essa função, se não aceitam críticas, que abandonem a profissão. Ser criticado, vaiado, condenado, tudo isso faz parte do futebol. Se for assim, também não se pode mais aplaudir e elogiar, em caso de vitória.
2 years ago